Quanto rende R$ 1 milhão em CDB, LCI e Tesouro com Selic a 15%

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17/12/2025

11 min de leitura

Investir em CDB, LCI e Tesouro Direto é uma prática comum para quem busca segurança e rentabilidade nos seus investimentos. Se você está curioso para saber como o seu dinheiro pode render em um cenário de taxa Selic a 15%, está no lugar certo. Entender como essa taxa afeta diferentes tipos de investimento é essencial para tomar decisões financeiras mais informadas.

Neste texto, vamos explorar a importância da Taxa Selic e como ela impacta o rendimento de R$ 1 milhão quando investido em CDB, LCI e Tesouro Direto. Além disso, abordaremos estratégias de diversificação e os impactos da inflação nos investimentos ligados à Selic. Vamos começar?

O que é a Taxa Selic e sua importância para investimentos

A Taxa Selic é a taxa básica de juros da economia brasileira, atuando como referência para todas as demais taxas de juros praticadas no país. Ela é definida pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central do Brasil, que se reúne a cada 45 dias para estabelecer a meta da Selic, considerando os principais indicadores econômicos e o cenário macroeconômico global e nacional.

A Selic é uma ferramenta fundamental de política monetária, especialmente no controle da inflação. Ao ajustar a Selic, o Banco Central pode estimular ou desacelerar a economia. Uma Selic mais alta encarece o crédito e desestimula o consumo, ajudando a conter a inflação. Por outro lado, uma Selic mais baixa torna o crédito mais barato e pode incentivar o consumo e o investimento, estimulando a atividade econômica.

Para os investidores, a Selic é um indicativo importante, pois influencia diretamente o rendimento dos investimentos em renda fixa. Produtos como CDBs, LCIs e títulos do Tesouro Direto têm seus retornos atrelados à Selic. Quando a taxa está alta, esses investimentos tendem a ser mais atrativos, oferecendo retornos superiores aos períodos de Selic baixa. Por isso, acompanhar a evolução da Selic é essencial para quem busca otimizar seus investimentos e proteger seus ativos da inflação.

Comparando CDB, LCI e Tesouro Direto

CDB (Certificado de Depósito Bancário) é um título de renda fixa emitido por bancos para captar recursos. Os investidores que compram CDBs estão, essencialmente, emprestando dinheiro ao banco em troca de um rendimento que pode ser pós-fixado, atrelado ao CDI (similar à Selic), ou prefixado, com uma taxa definida no momento da aplicação.

LCI (Letra de Crédito Imobiliário) é um título de renda fixa emitido por instituições financeiras para financiar o setor imobiliário. Sua principal característica é a isenção de Imposto de Renda para pessoas físicas, o que pode resultar em uma rentabilidade líquida atraente.

Tesouro Direto é um programa do Tesouro Nacional que permite a compra de títulos públicos por pessoas físicas via internet. Existem várias modalidades de títulos, como o Tesouro Selic (pós-fixado), Tesouro IPCA (atrelado à inflação) e Tesouro Prefixado.

Vantagens e Desvantagens

  • CDB: Flexibilidade e segurança. Oferece diversas opções de prazo e rentabilidade, e é garantido pelo FGC até R$ 250 mil por CPF por instituição.
  • LCI: Isenção de Imposto de Renda. Ideal para quem busca uma rentabilidade líquida maior e possui isenção fiscal.
  • Tesouro Direto: Acessibilidade e diversificação. Possibilidade de escolher entre diferentes prazos e indexadores, com valores de aplicação iniciais baixos.
  • Desvantagens

  • CDB: Tributação. Incide Imposto de Renda sobre o rendimento, o que pode reduzir a rentabilidade líquida.
  • LCI: Menor liquidez. Geralmente possuem prazos de carência maiores e menor oferta.
  • Tesouro Direto: Marcação a mercado. O valor dos títulos pode variar devido à marcação a mercado, o que pode ser negativo para quem precisa resgatar antes do vencimento.

A Taxa Selic afeta cada um desses produtos de maneira distinta. CDBs pós-fixados tendem a acompanhar a variação da Selic, aumentando a rentabilidade quando a taxa sobe. LCIs, por sua vez, podem ter suas taxas de juros ajustadas em novas emissões para se manterem competitivas com a Selic. Já o Tesouro Selic, um título do Tesouro Direto, está diretamente atrelado à Selic, ajustando seu rendimento conforme ela varia.

Como a taxa Selic de 15% afeta diferentes investimentos

Uma taxa Selic de 15% pode criar um cenário bastante atrativo para investimentos em renda fixa. Títulos como CDBs, LCIs e especialmente o Tesouro Selic tendem a oferecer retornos substancialmente maiores em comparação a períodos de Selic baixa. A alta da Selic aumenta a atratividade de produtos pós-fixados devido ao seu alinhamento direto com a taxa de juros.

Em um cenário de Selic a 15%, investimentos em renda fixa geralmente se tornam mais vantajosos do que opções atreladas a renda variável, pois oferecem um risco menor com retornos mais previsíveis. Exemplos de investimentos vantajosos incluem CDBs atrelados ao CDI e títulos do Tesouro Direto, como o Tesouro Selic.

Exemplo de cálculo de rendimento potencial

Considere um CDB que paga 100% do CDI em um cenário de Selic a 15%:
Rendimento = Investimento Inicial × (1 + CDI%)^Tempo

  • Investimento Inicial = R$ 1.000.000;
  • CDI% aproximado em Selic de 15% = 15% ao ano;
  • Tempo = 1 ano.

Rendimento após 1 ano: R$ 1.000.000 × (1 + 0,15) = R$ 1.150.000
Este cálculo demonstra o potencial de rendimento, sem considerar impostos ou taxas.

Além dos CDBs, o Tesouro Selic diretamente atrelado à taxa também seria beneficiado, garantindo aos investidores uma taxa de retorno superior. A alta Selic favorece aqueles que preferem segurança e retornos previsíveis, em contraste com a volatilidade dos mercados de ações.

Quanto rende R$ 1 milhão em CDB com Selic a 15%

Exemplo de cálculo de rendimento para CDB

Considere um CDB que paga 100% do CDI em um cenário de Selic a 15%:
Rendimento = Investimento Inicial × (1 + CDI%)^Tempo

  • Investimento Inicial = R$ 1.000.000;
  • CDI% aproximado em Selic de 15% = 15% ao ano;
  • Tempo = 1 ano.

Rendimento antes de impostos após 1 ano: R$ 1.000.000 × (1 + 0,15) = R$ 1.150.000

Os impostos sobre o rendimento de CDBs incluem o Imposto de Renda, que é cobrado de forma regressiva de acordo com o prazo da aplicação:

  • 22,5% para aplicações de até 180 dias;
  • 20% para aplicações de 181 a 360 dias;
  • 17,5% para aplicações de 361 a 720 dias;
  • 15% para aplicações acima de 720 dias.

Considerando uma aplicação de 1 ano (365 dias), a alíquota aplicada seria de 20%. Assim, o rendimento líquido seria calculado a partir do rendimento bruto deduzido do Imposto de Renda:

Cálculo do rendimento líquido

Total de imposto: R$ 150.000 × 0,20 = R$ 30.000
Rendimento líquido: R$ 150.000 – R$ 30.000 = R$ 120.000
Valor total após 1 ano: R$ 1.000.000 + R$ 120.000 = R$ 1.120.000

A liquidez dos CDBs varia, pois alguns oferecem resgate apenas no vencimento, enquanto outros apresentam liquidez diária. É crucial considerar o prazo do investimento, a taxa de rentabilidade e as políticas de resgate antes de aplicar. CDBs são cobertos pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC) até R$ 250 mil por CPF por instituição, proporcionando uma camada adicional de segurança ao investidor.

Quanto rende R$ 1 milhão em LCI com Selic a 15%

Exemplo de cálculo de rendimento para LCI

Considere uma LCI que paga 90% do CDI em um cenário de Selic a 15%:
Rendimento = Investimento Inicial × (1 + (CDI% × 90%))^Tempo

  • Investimento Inicial = R$ 1.000.000;
  • CDI% aproximado em Selic de 15% = 15% ao ano;
  • Tempo = 1 ano.

Rendimento após 1 ano: R$ 1.000.000 × (1 + (0,15 × 0,90)) = R$ 1.135.000

Uma das principais vantagens das LCIs é a isenção de Imposto de Renda para pessoas físicas, o que significa que o rendimento calculado de R$ 135.000 é integralmente recebido pelo investidor. Essa isenção torna as LCIs atrativas em comparação a outros produtos de renda fixa, especialmente em cenários de alta Selic onde o rendimento bruto é elevado.

No entanto, para obter alta rentabilidade em LCIs, é necessário estar atento a algumas condições e restrições. Normalmente, as LCIs possuem prazos de carência, durante os quais o dinheiro não pode ser resgatado, o que pode implicar em menor liquidez. Além disso, as taxas oferecidas variam entre as instituições financeiras, sendo importante comparar as condições de diferentes emissoras.

Investir em LCIs pode ser uma estratégia vantajosa, especialmente em períodos de Selic alta, mas é crucial que o investidor considere suas necessidades de liquidez e compare as taxas de diferentes instituições para maximizar seus retornos.

Quanto rende R$ 1 milhão em Tesouro Direto com Selic a 15%

Exemplo de cálculo de rendimento para Tesouro Selic

Considere um investimento de R$ 1 milhão no Tesouro Selic com uma Selic de 15%:
Rendimento = Investimento Inicial × (1 + Selic%)^Tempo

  • Investimento Inicial = R$ 1.000.000;
  • Selic% = 15% ao ano;
  • Tempo = 1 ano.

Rendimento bruto após 1 ano: R$ 1.000.000 × (1 + 0,15) = R$ 1.150.000

Ao investir no Tesouro Direto, é necessário considerar os custos que podem impactar o rendimento líquido. A principal taxa é a de custódia, cobrada pela B3, de 0,25% ao ano sobre o total investido, além de possíveis taxas cobradas pela corretora. O Imposto de Renda também incide sobre o rendimento, seguindo a tabela regressiva.

Cálculo do rendimento líquido

Taxa de custódia: R$ 1.150.000 × 0,25% = R$ 2.875
Imposto de Renda (20% para 1 ano): R$ 150.000 × 0,20 = R$ 30.000
Rendimento líquido: R$ 150.000 – R$ 30.000 – R$ 2.875 = R$ 117.125
Valor total após 1 ano: R$ 1.000.000 + R$ 117.125 = R$ 1.117.125

O Tesouro Direto é considerado um dos investimentos mais seguros disponíveis no mercado, pois é garantido pelo governo federal. Ele oferece boa liquidez, permitindo resgates diários, o que é muito vantajoso em momentos de taxas de juros elevadas como uma Selic a 15%. Investir no Tesouro Selic proporciona um retorno atrativo com risco reduzido, ideal para investidores que buscam segurança e previsibilidade.

Estratégias de diversificação de investimentos em tempos de Selic alta

Durante períodos de Selic alta, estratégias de alocação de ativos devem ser bem planejadas para maximizar rendimentos e mitigar riscos. A diversificação é a chave para equilibrar a carteira entre diferentes classes de ativos, aproveitando as oportunidades que cada uma oferece.

Uma estratégia eficaz é aumentar a participação de investimentos em renda fixa, que se beneficiam diretamente de uma Selic elevada. Produtos como CDBs, LCIs e Tesouro Selic tendem a oferecer retornos mais atrativos e seguros. Uma alocação robusta em renda fixa pode ser composta por:

  • 50% em Tesouro Selic, para liquidez e segurança;
  • 30% em CDBs atrelados ao CDI, para rentabilidade competitiva;
  • 20% em LCIs, para aproveitar a isenção fiscal e bons retornos líquidos.

Apesar da atratividade da renda fixa, é importante não desprezar a renda variável. Ações podem ainda compor uma parte da carteira, especialmente de setores que se beneficiam de juros altos, como bancos e seguradoras, ou que tenham potencial de crescimento apesar do cenário de juros elevados.

Um exemplo de balanceamento entre renda fixa e variável durante uma Selic alta poderia ser:

  • 70% em renda fixa, com foco em segurança e liquidez;
  • 20% em ações de empresas sólidas e pagadoras de dividendos;
  • 10% em investimentos alternativos, como fundos imobiliários que possam oferecer proteção contra a inflação.

A diversificação não só aumenta o potencial de retorno, mas também espalha o risco em diferentes tipos de ativos e setores econômicos. Isso é essencial para proteger a carteira contra flutuações econômicas e eventos inesperados, tornando-se uma estratégia prudente para qualquer perfil de investidor.

Impactos da inflação sobre investimentos atrelados à Selic

A inflação tem o potencial de corroer o poder de compra dos rendimentos obtidos mesmo com uma Selic alta. Embora investimentos em renda fixa tendam a oferecer retornos superiores em cenários de Selic elevada, é fundamental que o retorno real, ou seja, o rendimento acima da inflação, seja positivo para preservar e aumentar o patrimônio ao longo do tempo.

Investidores devem considerar produtos financeiros que ofereçam proteção contra a inflação. O Tesouro IPCA é uma excelente opção, pois garante um retorno acima da inflação por meio do pagamento de uma taxa prefixada somada à variação do IPCA. Isso assegura que o capital investido não apenas mantém seu valor real, mas também oferece um acréscimo em termos de rentabilidade.

Para ajustar uma carteira de investimentos em tempos de inflação alta, considere as seguintes dicas: